Trump anuncia acordo para desarmamento total do Hamas
O Hamas confirmou esta sexta-feira a conclusão de um acordo sobre o seu desarmamento na Faixa de Gaza, previsto na segunda fase do cessar-fogo entre o movimento islamista palestiniano e Israel, um ponto-chave do plano de paz de Donald Trump.
O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira que o Conselho de Paz chegou a um acordo para o "desarmamento total" do Hamas e de outros grupos armados em Gaza.
O republicano descreveu este passo como histórico rumo à criação de um novo Governo palestiniano no enclave.
Trump adiantou através da sua rede social, Truth Social, que "o acordo será implementado em fases cuidadosamente estruturadas" e que, uma vez concluído o desarmamento, "as forças israelitas retirarão".
Com a saída das forças israelitas do enclave, uma Força Internacional de Estabilização atuará ao lado de uma nova força policial palestiniana para garantir a segurança de Gaza, acrescentou.
O chefe de Estado norte-americano realçou que o acordo permitirá que Gaza fique sob o controlo de "um novo governo palestiniano" e agradeceu ainda ao Egito, ao Catar e à Turquia pelos seus esforços de mediação, bem como à sua equipa de negociação por ter alcançado o pacto.
Segundo o portal de notícias Axios, a pressão externa e a crescente crise económica na Faixa de Gaza, pela qual o Hamas é responsabilizado, levaram o grupo a aceitar o acordo de desarmamento.
O presidente dos EUA descreveu o acordo como um "marco importante" na implementação do seu plano de 20 pontos para Gaza, apresentado a 29 de setembro de 2025, juntamente com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Israel não comentou de imediato o anúncio feito pelo presidente norte-americano, dois dias depois de este ter recebido o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu em Washington.Armas serão entregues a tecnocratas palestinianos
O plano traça um roteiro para pôr fim à guerra, libertar reféns, estabelecer uma estrutura de segurança para Israel e avançar para uma administração palestiniana tecnocrática no enclave.
Há semanas que decorrem negociações no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor em outubro do ano passado e visa pôr fim definitivo à guerra no enclave palestiniano.
O Hamas fez "concessões para o bem do nosso povo na Faixa de Gaza, a fim de o salvar da morte e da deslocação", declarou à AFP Ghazi Hamad, um membro da equipa de negociação do movimento islamista. Hamad acrescentou que o Hamas iria agora discutir as modalidades de implementação com os mediadores e acordar um calendário para a execução do acordo. "Este processo demorará cerca de 14 dias, ou até mais", estimou.
Outra fonte do Hamas tinha destacado à agência de notícias France-Presse uma "ampla convergência" em vários pontos relacionados com o armamento e disse que o grupo palestiniano apresentou alterações ao roteiro proposto por Washington aos mediadores e aguarda a resposta de Israel.
A mesma fonte reiterou que o plano estipula o "desmantelamento de todas as armas", especificando que não haverá exceções, de forma a "transferir toda a autoridade para o governo tecnocrático".
De acordo com o plano de paz, a gestão corrente da Faixa de Gaza no período pós-conflito será assegurada por um organismo de tecnocratas palestinianos, o Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).
A transferência de armas para o CNAG será realizada, segundo a fonte diplomática, em coordenação com a Força Internacional de Estabilização (FIE), uma estrutura destinada a reunir tropas multinacionais sob os auspícios do Conselho de Paz proposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Do lado israelita, uma fonte política disse à AFP que "não haverá retirada israelita da `linha amarela` até que o Hamas esteja completamente desarmado e a Faixa de Gaza totalmente desmilitarizada".
A "linha amarela" é o nome dado por Israel à demarcação entre as áreas controladas pelo Hamas e pelo exército israelita no enclave palestiniano.
Israel reclama o controlo atual de mais de 60 por cento do território.
c/ Lusa